O uso excessivo de telas na adolescência tem se tornado uma preocupação crescente entre profissionais de saúde mental, pais e educadores. A exposição prolongada a dispositivos digitais está relacionada a alterações significativas no comportamento, no humor e na capacidade de autorregulação emocional dos jovens (American Psychological Association, 2023).
Segundo Twenge (2019), o contato constante com estímulos rápidos e recompensas imediatas nas redes sociais altera o sistema dopaminérgico cerebral, favorecendo padrões de busca de prazer instantâneo e dificultando atividades que excluem concentração prolongada, como o estudo. Isso contribui para a diminuição da tolerância à frustração e ao aumento da irritabilidade observada em adolescentes.
O impacto não se restringe apenas ao sono. Déficits de higiene pessoal e alimentar também são cobrados. Muitos adolescentes relatam refeições simples ou compulsivas enquanto usam telas, o que pode contribuir para distúrbios alimentares, como compulsão alimentar periódica ou restrição calórica (Rodríguez-Martín et al., 2021).
Do ponto de vista clínico, o uso disfuncional das telas pode ser compreendido como um mecanismo de fuga emocional. Segundo Gross (1998), a evitação experiencial gera um rompimento momentâneo de emoções incômodas, mas reforça o comportamento de dependência, criando um ciclo vicioso entre estresse e uso excessivo de recursos digitais.
A agressividade e impulsividade derivadas da privação de sono e superestimulação digital agravam os conflitos familiares, especialmente quando pais tentam impor limites abruptamente. O diálogo empático e o estabelecimento de regras com coerência e consistência são estratégias terapêuticas que promovem autonomia emocional e redução do comportamento do opositor (Kazdin, 2005).
Uma intervenção psicossocial deve incluir educação digital, práticas de mindfulness, incentivo à leitura e à atividade física. A escola e a família exercem papel fundamental na regulação desses hábitos, ajudando o adolescente a desenvolver uma relação saudável com a tecnologia.
Portanto, compreender os efeitos neuropsicológicos e comportamentais do uso excessivo de telas é essencial para prevenir a dependência digital e restaurar o equilíbrio emocional e social dos jovens contemporâneos.
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