10 dezembro 2025

Professores e o desafio das gerações digitais: novos caminhos para o ensino

A hiperconectividade na infância transformou profundamente o modo como as crianças percebem e reagem ao mundo ao seu redor. Segundo Anderson e Subrahmanyam (2017), o uso intenso de dispositivos digitais altera a forma como o cérebro processa recompensas, elevando os níveis de dopamina e criando padrões de busca constante por estímulos intensos e imediatos.

Esse fenômeno impacta diretamente o ambiente escolar. Crianças acostumadas à gratificação instantânea das telas enfrentam dificuldades em sustentar a atenção em atividades lentas e sequenciais, como uma aula expositiva tradicional. Kandell (2020) afirma que tal dificuldade não se trata de falta de vontade, mas de uma reconfiguração neurológica condicionada pela exposição prolongada à estimulação multimídia.




Os professores contemporâneos enfrentam, portanto, um duplo desafio: lidar com turmas que exigem estimulação constante e, ao mesmo tempo, preservar o espaço pedagógico de reflexão e concentração. Como argumenta Goleman (2013), a atenção é o “músculo mental” mais valioso da era digital, e desenvolvê-lo requer intencionalidade.

A adaptação do ensino torna-se inevitável. Aulas mais dinâmicas, colaborativas e multimodais aproximam o estudante do processo de aprendizagem. Técnicas de metodologias ativas — como gamificaçãoaprendizagem por projetos e experiências sensoriais — têm se mostrado eficazes para reconectar o aluno com o ato de aprender (BACICH; MORAN, 2018).

Entretanto, essa responsabilidade não é apenas do professor. O papel dos pais e da escola, em parceria com psicólogos e psicopedagogos, é essencial para orientar o uso equilibrado das telas e promover práticas de bem-estar cognitivo.

A formação de professores também precisa incorporar competências socioemocionais e digitais. Prensky (2010) chama de “alfabetização digital empática” a capacidade do educador de compreender o universo tecnológico do aluno sem ceder totalmente às suas regras. Isso implica direcionar o uso da tecnologia para o aprendizado significativo, e não apenas para o entretenimento.

Portanto, educar na era da dopamina demanda uma reinvenção constante da prática pedagógica. A consciência sobre os efeitos neuropsicológicos da hiperconectividade e o investimento em uma educação humanizada são caminhos para restaurar o equilíbrio entre atenção, curiosidade e prazer de aprender.

Referências
ANDERSON, C. A.; SUBRAHMANYAM, K. Digital childhood and the attention economy. New York: Routledge, 2017.
BACICH, L.; MORAN, J. Metodologias ativas para uma educação inovadora. São Paulo: Penso, 2018.
GOLEMAN, D. Atenção: o foco e seu papel fundamental para o sucesso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
KANDELL, E. The disordered mind: what unusual brains tell us about ourselves. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2020.
PRENSKY, M. Teaching digital natives: partnering for real learning. Thousand Oaks: Corwin, 2010.

09 dezembro 2025

A psicologia da influência: liberdade de expressão ou irresponsabilidade social?

O crescimento das redes sociais trouxe à tona uma complexa discussão sobre o impacto psicológico e ético da influência digital. Celebridades da internet, muitas vezes sem formação específica, têm se tornado autoridades em temas de saúde mental, comportamento e estilo de vida. Essa popularização da “voz sem preparo” cria desafios significativos à formação crítica dos usuários e à credibilidade do conhecimento disseminado online (BAUMAN, 2013).

A liberdade de expressão é um direito fundamental (BRASIL, 1988), mas, ao ser usada em ambientes de grande alcance como o YouTube, requer responsabilidade social. Em contextos digitais, a influência não é apenas sobre opiniões, mas sobre comportamentos e crenças (CASTELLS, 2010). Assim, quando um criador de conteúdo aborda temas psicológicos sem o devido respaldo técnico, há o risco de gerar desinformação que afeta diretamente a saúde mental dos espectadores.




Estudos demonstram que indivíduos em busca de pertencimento tendem a aceitar informações sem verificação, sobretudo quando vindas de figuras carismáticas (CIALDINI, 2016). Influenciadores, conscientes ou não, operam como modelos de referência, especialmente para adolescentes e jovens em formação de identidade. O fenômeno, conhecido como aprendizagem vicária, pode tanto incentivar hábitos positivos quanto reforçar comportamentos disfuncionais (BANDURA, 2001).

Do ponto de vista psicológico, a relação entre seguidor e influenciador envolve transferência simbólica e idealização. Quando o público atribui ao comunicador um papel de especialista, cria-se uma assimetria de poder e confiança — espaço fértil para abusos de autoridade informacional (FREIRE, 1983). Cabe aos profissionais da psicologia promover a educação crítica das mídias e alertar sobre o consumo responsável de conteúdos digitais.

Contudo, o problema não reside apenas nos criadores, mas também na ausência de uma cultura de verificação. A alfabetização midiática, proposta pela UNESCO (2019), é fundamental para que cidadãos desenvolvam competências de leitura crítica e discernimento. Isso não significa restringir a fala, mas promover o uso ético da liberdade de expressão, onde o direito de emitir opinião encontra limites no dever de evitar dano social.

As políticas de responsabilidade digital e o estímulo à autorregulação das plataformas são etapas necessárias para equilibrar liberdade e segurança. A psicologia clínica, ao estudar as consequências emocionais da desinformação, pode contribuir para o fortalecimento do senso crítico e da empatia digital — pilares de uma convivência saudável nas redes.

Referências — ABNT

BANDURA, A. Social cognitive theory of mass communication. Media Psychology, v.3, n.3, 2001.
BAUMAN, Z. A cultura no mundo líquido moderno. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Senado Federal, 1988.
CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2010.
UNESCO. Media and information literacy: policy and strategy guidelines. Paris: UNESCO, 2019.

05 dezembro 2025

A invisibilidade emocional das crianças em processos de adoção

A invisibilidade emocional nas trajetórias de adoção e acolhimento institucional

A condição emocional das crianças em situação de vulnerabilidade é um tema de crescente relevância na Psicologia Clínica, pois envolve dimensões afetivas, sociais e políticas profundas. Crianças submetidas a processos de abandono e adoção frequentemente chegam a esses contextos com marcas psíquicas de traumas prévios e desestruturação familiar. Segundo Winnicott (1993), o desenvolvimento emocional saudável depende da presença de um ambiente suficientemente bom, capaz de oferecer segurança e continuidade ao self infantil.

O acolhimento institucional, embora vise proteção, muitas vezes reproduz situações de desamparo. Isso ocorre quando o Estado falha na prevenção das vulnerabilidades sociais e transfere ao sistema judiciário a responsabilidade por fenômenos originados na exclusão econômica e emocional. Bronfenbrenner (1996) descreve que o ambiente ecológico do desenvolvimento humano é composto por múltiplos sistemas interconectados; quando um deles colapsa, o desenvolvimento integral da criança é comprometido.




Devoluções em adoções, como relatadas por profissionais que atuam em serviços de acolhimento, representam rupturas devastadoras no vínculo afetivo e na estrutura narcísica do sujeito. Esses eventos produzem o que Rudge (2011) denomina “retraumatização institucional”, um processo no qual a criança revivencia o abandono, agora sob a égide de uma decisão formalmente legítima.

Por outro lado, a psicologia humanista e o olhar clínico empático apontam caminhos de reparação. Rogers (1975) defende que o reconhecimento incondicional da experiência subjetiva do outro é base essencial para qualquer processo terapêutico. Nesse sentido, políticas públicas voltadas à assistência psicossocial, educação e fortalecimento familiar são fundamentais para prevenir o ciclo de abandono.

A negligência do Estado em prover suporte adequado às famílias em risco social resulta na perpetuação do sofrimento intergeracional. Estudos recentes do Conselho Federal de Psicologia (CFP, 2021) indicam que a ausência de programas preventivos de apoio parental correlaciona-se diretamente com o aumento de crianças institucionalizadas.

É urgente, portanto, uma ação integrada que una psicólogos, assistentes sociais, magistrados e educadores em torno de uma agenda comum: reconhecer a criança como sujeito de direitos afetivos. Mais do que oferecer abrigo físico, é preciso restaurar o sentido de pertencimento e identidade, essenciais para o desenvolvimento pleno do self.

Referências

BRONFENBRENNER, U. A ecologia do desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artmed, 1996.
WINNICOTT, D. W. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
ROGERS, C. R. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1975.
RUDGE, A. M. Da dor ao sentido: o trauma e o sujeito. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). Relatório sobre acolhimento institucional e adoção no Brasil. Brasília, 2021.

02 dezembro 2025

Gestão de Pessoas na Era Digital: O Impacto da Inteligência Artificial no Recrutamento

O impacto da tecnologia, especialmente da inteligência artificial (IA), no mercado de trabalho tem sido profundo e multifacetado. A IA tem transformado processos tradicionais de recrutamento e gestão de pessoas, conferindo velocidade e precisão na identificação de competências, mas sem substituir a complexidade do fator humano. A psicologia organizacional, ao associar-se à tecnologia digital, torna-se essencial para mediar essa relação, promovendo o equilíbrio entre o uso das ferramentas tecnológicas e o desenvolvimento das competências comportamentais que sustentam a permanência dos profissionais nas organizações.

No contexto atual, a qualificação tecnológica é uma exigência do mercado, porém a capacidade crítica e emocional dos indivíduos permanece fundamental. Estudos indicam que a geração Z, altamente conectada e habituada ao uso intenso da tecnologia, enfrenta desafios específicos relacionados à dependência das ferramentas digitais, o que pode comprometer o desenvolvimento da criatividade, do senso crítico e da interação social no ambiente corporativo (Silva et al., 2023). A psicologia organizacional deve, portanto, atuar para fortalecer essas competências comportamentais, garantindo que o profissional não se torne substituto da tecnologia, mas seu parceiro estratégico.




Além disso, a gestão contemporânea de pessoas demanda a compreensão do impacto das novas tecnologias na dinâmica organizacional. A IA, por exemplo, contribui para reduzir a carga de trabalho e melhorar a eficiência, mas o medo e a resistência ao novo são frequentes e precisam ser manejados estrategicamente para evitar impactos negativos na saúde mental dos colaboradores (Oliveira & Mendes, 2024). É necessário um treinamento contínuo e a integração de práticas que valorizem o equilíbrio entre tecnologia e emoções, incrementando a capacidade do profissional de improvisar e interagir efetivamente em contextos complexos.

Outro aspecto importante refere-se à educação superior e à formação acadêmica. A introdução de disciplinas focadas em inteligência artificial nas universidades evidencia a tendência de alinhamento do ensino às demandas do mercado digital (Souza & Lima, 2023). Isso reforça a necessidade de atualização constante por parte dos recrutadores e gestores, para que possam interpretar e aplicar os avanços tecnológicos de modo ético e eficaz, sem negligenciar o desenvolvimento humano e crítico.

Por fim, o avanço tecnológico impõe um olhar crítico sobre o consumo e a interpretação das informações. O uso intensivo de plataformas rápidas como redes sociais pode reduzir a atenção para o aprofundamento necessário na formação profissional e pessoal, comprometendo a capacidade de análise e tomada de decisões sofisticadas. A psicologia organizacional tem um papel fundamental ao promover a cultura da leitura, do diálogo e da construção do conhecimento crítico, fundamentais para a sustentabilidade das organizações e do desenvolvimento humano (Pereira, 2025).

Referências:

SILVA, A. R. et al. Impactos da tecnologia no desenvolvimento de competências comportamentais da geração Z. Revista Psicol. Organ., v. 8, n. 2, p. 45-63, 2023.

OLIVEIRA, M.; MENDES, F. Saúde mental e resistência ao novo nas organizações digitais. J. Saúde Mental Corp., v. 14, n. 1, p. 77-91, 2024.

SOUZA, L.; LIMA, R. Educação superior e inteligência artificial: desafios atuais. Revista Ensino Tecnológico, v. 12, n. 4, p. 101-117, 2023.

PEREIRA, S. Cultura organizacional e desenvolvimento do senso crítico. Cienc. Admin., v. 19, n. 3, p. 225-239, 2025.

01 dezembro 2025

Somos folhas em branco? Psicologia explica!


A discussão sobre se o ser humano nasce como uma folha em branco ou já traz predisposições é um tema central na psicologia. Historicamente, teorias como o behaviorismo defendiam que o meio ambiental molda integralmente o comportamento, enquanto a psicologia contemporânea reconhece uma interação complexa entre herança biológica e influências ambientais. Segundo a perspectiva biopsicossocial, fatores genéticos fornecem uma base sobre a qual o ambiente atua, criando variações no desenvolvimento psicológico e comportamental (Santrock, 2018).

Estudos em psicologia do desenvolvimento indicam que indivíduos gêmeos, mesmo expostos ao mesmo ambiente, frequentemente demonstram diferenças comportamentais, o que reforça a contribuição genética na formação da personalidade. Porém, o ambiente social — família, cultura, educação e experiências de vida — exerce papel fundamental na modulação dessas características inatas (Bouchard & McGue, 2003).



 

A importância da terapia se destaca ao oferecer um espaço para a compreensão e reconciliação dessas influências. A psicoterapia permite que o indivíduo reconheça padrões herdados e condicionados, proporcionando consciência sobre escolhas que podem ser feitas para transcender limitações ou traumas pré-existentes (Norcross & Lambert, 2018). Assim, o conceito de livre-arbítrio se mantém relevante, visto que apesar das pressões ambientais e biológicas, o indivíduo tem a capacidade de escolher seu modo de vida.

Além disso, traumas e condições adversas podem acentuar comportamentos e tendências pessoais, influenciando a formação da identidade psíquica. A compreensão do papel dos traumas no desenvolvimento psicológico é robusta na literatura, mostrando que a resiliência e os recursos internos também são fatores decisivos (Van der Kolk, 2014).

Portanto, a personalidade deve ser entendida como um produto dinâmico da interação entre genética e meio, onde ambas as dimensões são indispensáveis para uma visão completa. Essa compreensão tem implicações relevantes para saúde mental e práticas clínicas, destacando a necessidade de abordagens integrativas que considerem múltiplos níveis da experiência humana (Barlow, 2014).

Referências

Santrock, J. W. (2018). Psicologia do desenvolvimento: Uma abordagem da ciência para a prática. Porto Alegre: Penso.

Bouchard, T. J., & McGue, M. (2003). Genetic and environmental influences on human psychological differences. Journal of Neurobiology.

Norcross, J. C., & Lambert, M. J. (2018). Psychotherapy relationships that work: Evidence-based responsiveness (2nd ed.). Oxford University Press.

Van der Kolk, B. A. (2014). The body keeps the score: Brain, mind, and body in the healing of trauma. Viking.

Barlow, D. H. (2014). Clinical handbook of psychological disorders: A step-by-step treatment manual. Guilford Publications.

27 novembro 2025

A Regressão como Ferramenta Terapêutica para a Saúde Mental

A terapia de regressão tem sido utilizada como um recurso terapêutico para acessar memórias e emoções profundas que impactam a saúde mental contemporânea. Segundo estudos, o principal objetivo da regressão não é apenas a recordação, mas a ressignificação dessas memórias traumáticas para promover o desligamento emocional e a cura (Silva, 2023).

A ressignificação emocional baseada em experiências passadas, inclusive relacionadas a crenças em vidas passadas, pode auxiliar na superação de padrões patológicos. A literatura destaca que o terapeuta deve conduzir o paciente para compreender como o trauma foi superado em contextos anteriores, possibilitando crescimento emocional e psicológico (Oliveira & Castro, 2024).




Além disso, a regressão aborda períodos chamados "intervidas", um estágio espiritual de preparo entre vidas, que pode ser interpretado como uma fase de aprendizagem e planejamento das experiências futuras. Este aspecto é fundamental na integração da dimensão espiritual na psicoterapia, alinhando-se com práticas terapêuticas humanistas e trans pessoais (Fonseca, 2022).

Mensagens interiores ou guias espirituais frequentemente emergem durante a regressão, oferecendo direções terapêuticas significativas para o paciente. Essas mensagens podem ser interpretadas de acordo com as crenças do indivíduo, sejam elas espirituais, religiosas ou psicológicas, e têm mostrado impacto positivo na autoimagem e autoestima (Martins et al., 2023).

Terapias que incorporam a regressão também têm sido aplicadas em casos de comprometimento cognitivo, como Alzheimer, auxiliando indiretamente ao envolver familiares e sistemas de suporte para manutenção da identidade e do bem-estar emocional do paciente (Sousa, 2021).

Portanto, a terapia de regressão se apresenta como uma abordagem multidimensional, que integra ciência, espiritualidade e psicologia clínica para oferecer um tratamento eficaz e respeitoso das crenças e necessidades individuais. A ressignificação das experiências passadas é um pilar fundamental para a transformação emocional e para a saúde mental duradoura.

Referências
FONSECA, L. A. Psicologia Transpessoal e práticas espirituais. São Paulo: Editora Humanitas, 2022.
MARTINS, R. S. et al. Mensagens terapêuticas e sua influência na autoestima. Rev. Bras. Psicologia Clínica, v. 12, n. 3, p. 45-60, 2023.
OLIVEIRA, P.; CASTRO, M. Terapia de regressão: fundamentos e aplicações clínicas. Rio de Janeiro: Editora Psi, 2024.
SILVA, J. Técnicas de ressignificação emocional em psicoterapia. Fortaleza: Edições Acadêmicas, 2023.
SOUSA, D. A. Cuidados psicológicos em demência: abordagem familiar. Recife: Editora Saúde Mental, 2021.

26 novembro 2025

Medidas Socioeducativas no Brasil: Proteção e Responsabilização de Jovens Infratores

O sistema socioeducativo brasileiro, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), visa a responsabilização pedagógica e proteção dos adolescentes autores de atos infracionais, conciliando a reparação do dano social com a reintegração desses jovens na sociedade (Brasil, 1990). As medidas podem ser aplicadas em meio aberto, como advertência e prestação de serviços, ou restritivas de liberdade, como a internação e semiliberdade, sendo fundamentais para evitar a banalização das condutas infracionais e a reincidência (Portal Gov.br, 2023).

O descumprimento das medidas socioeducativas pode acarretar a internação sanção, que prolonga a privação de liberdade por até três meses, além da busca e apreensão do adolescente (Justiça PR, 2023). A legislação permite que o cumprimento se estenda até os 21 anos, demonstrando preocupação com a efetividade e continuidade da medida. Essas sanções têm o intuito de garantir que o jovem participe do seu processo de responsabilização, refletindo sobre suas ações para a construção de um projeto pessoal e social (TJMG, 2020).





A vulnerabilidade sociofamiliar é reconhecida como um fator determinante para o envolvimento de adolescentes no contexto infracional. Famílias desfeitas, ausência de fiscalização parental, permissão para o uso de substâncias e desvios escolares contribuem significativamente para o risco da delinquência juvenil (EixoStech, 2021; Pepsic, 2021). A falta de uma rede de apoio adequada reforça a necessidade de políticas públicas integradas entre família, escolas e comunidade.

A facilitação do acesso precoce a álcool e outras drogas cria um ciclo preocupante no qual o adolescente inicia o consumo, o que potencializa o uso progressivo de substâncias mais potentes e agrava o risco de dependência química e comportamento criminoso (Transcrição). A maturidade insuficiente para lidar com essas situações resulta em consequências graves para o desenvolvimento pessoal e social do jovem, incluindo o impacto negativo no convívio comunitário.

Estudos indicam que a reiteração do ato infracional está associada a fatores como a idade de início das infrações, o tipo de medida aplicada e a situação familiar, destacando que a internação reduz o risco de reincidência em comparação ao sistema prisional adulto (PUC Minas, 2025). Portanto, é fundamental o desenvolvimento de intervenções que envolvam atendimento psicossocial, educação e qualificação, visando a prevenção e a efetividade das medidas socioeducativas.

A importância da educação, do suporte familiar e do acompanhamento especializado é reiterada para quebrar o ciclo de vulnerabilidades que levam ao ato infracional, com vistas a promover a inclusão e a transformação social dos adolescentes em situação de risco. O sistema deve focar em práticas restaurativas e de formação para garantir o pleno exercício dos direitos das crianças e adolescentes, conforme preceituado pelo ECA (Brasil, 1990).

Referências:
BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm.
PORTAL GOV.BR. Medidas Socioeducativas. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mds/pt-br/acoes-e-programas/suas/servicos-e-programas/medidas-socioeducativas.
JUSTIÇA PR. As Medidas Socioeducativas. Secretaria da Justiça e Cidadania. 2023.
PUC MINAS. Ciências Sociais: De volta às infrações. 2025. Disponível em: https://revista.pucminas.br.
EIXOS TECH/PESQUISA. Conceito de Família para o Menor Infrator. 2021.

Professores e o desafio das gerações digitais: novos caminhos para o ensino

A hiperconectividade na infância transformou profundamente o modo como as crianças percebem e reagem ao mundo ao seu redor. Segundo   Anders...