24 julho 2025

Estudantes, ATENÇÃO! Por que a Ritalina pode ser mais perigosa do que você imagina?

A ritalina, cujo princípio ativo é o cloridrato de metilfenidato, é um medicamento amplamente discutido tanto no ambiente acadêmico quanto fora dele. Sua principal indicação é para o tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e da narcolepsia, um distúrbio do sono marcado pela sonolência excessiva durante o dia, mesmo após uma boa noite de sono. É importante lembrar que ritalina é um estimulante do sistema nervoso central e só deve ser utilizada com prescrição médica.

O funcionamento da ritalina no cérebro está relacionado ao aumento dos níveis de dois neurotransmissores: dopamina e noradrenalina. Essas substâncias são fundamentais para processos como atenção, concentração e controle do comportamento. Em pessoas com TDAH, a ritalina pode ajudar a diminuir a hiperatividade, a impulsividade e o déficit de atenção. Já nos casos de narcolepsia, o medicamento auxilia a conter a sonolência diurna excessiva.

Porém, assim como outros psicofármacos, a ritalina apresenta potenciais efeitos colaterais. Entre eles estão insônia, perda de apetite, dor de cabeça, náusea e, em situações mais graves, problemas cardíacos e psíquicos. Indivíduos com histórico de alergia ao medicamento, ansiedade, agitação, doenças cardíacas, hepáticas ou renais, além daqueles que fazem uso de antidepressivos e antipsicóticos, devem ter cautela. O uso em pessoas com histórico de abuso de substâncias também é contraindicado.




A automedicação com ritalina é extremamente perigosa. O uso inadequado pode resultar em superdosagem, interações medicamentosas imprevisíveis e desconhecimento das reações adversas graves. Vale ressaltar que, além dos já citados efeitos colaterais, há o risco de dependência, especialmente quando usada sem acompanhamento adequado.

Muitos estudantes têm dúvidas sobre o impacto da ritalina no desempenho acadêmico. É comum associar o medicamento à chamada “pílula da inteligência”, porém isso é um mito. A ritalina pode melhorar a concentração em pessoas com TDAH, mas não aumenta a inteligência, que é resultado de múltiplos fatores como genética, ambiente e educação. Para pessoas sem TDAH, não há evidência científica de melhora cognitiva significativa com o uso do medicamento.

Por fim, é fundamental lembrar que dificuldades nos estudos e na aprendizagem devem ser avaliadas por profissionais qualificados, como psicólogos, psiquiatras ou neurologistas. O uso de ritalina sem prescrição e acompanhamento médico não é uma solução mágica e pode trazer mais riscos do que benefícios. Buscar a orientação adequada é sempre o caminho mais seguro e eficaz para promover a saúde mental e o bom desempenho acadêmico.


Livros

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Brasília: Ministério da Saúde, 2021.

MARTINS, Elaine Sanches et al. Psicofarmacologia: fundamentos para a prática clínica. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.

GOODMAN, Louis Sanford; GILMAN, Alfred. As bases farmacológicas da terapêutica. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2019.

Artigos Científicos

CUNHA, Alessandra Irelli Diniz da; ROSA, Marinês Rodrigues da; CAVALCANTE NETO, José Luiz. Uso do metilfenidato (ritalina) por universitários: análise sobre automedicação e riscos. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, v. 18, n. 51, p. 895-908, 2014.

BENEVIDES, Rita P. et al. Uso do metilfenidato e suas consequências em estudantes universitários. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 36, n. 3, p. 221-230, 2014.

Documentação Técnica

ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Bula do Cloridrato de Metilfenidato (Ritalina). Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/. Acesso em: 24 jul. 2025.

Sites Oficiais e Materiais de Instituições

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). Nota Técnica sobre o uso de metilfenidato. Brasília, 2017. Disponível em: https://site.cfp.org.br/. Acesso em: 24 jul. 2025.

 

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