13 novembro 2025

O papel dos pais no desenvolvimento emocional infantil após separação

A formação emocional da criança está diretamente relacionada à qualidade das interações com seus genitores, sendo fundamental a convivência com ambos, desde a primeira infância (WINNICOTT, 1975). Estudos mostram que a presença do pai e da mãe, independentemente da configuração familiar, propicia o desenvolvimento de vínculos afetivos seguros e favorece a constituição da identidade e da autoestima do sujeito (BOWLBY, 1988).

Mesmo em processos de separação, é essencial manter o diálogo e respeitar a necessidade da criança em conviver com ambas as referências parentais (COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS, 2013). A ausência de um dos genitores pode ser interpretada pela criança como forma de rejeição, causando prejuízos emocionais e comportamentais a longo prazo (MINUCHIN, 1977).




A guarda compartilhada tem se mostrado uma alternativa eficiente para garantir o direito da criança à presença parental, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Além disso, os conflitos familiares, se não adequadamente manejados, podem gerar ambivalência, insegurança, queda de rendimento escolar e até sintomas psicossomáticos (SILVA & NERIS, 2022).

A atuação do judiciário é importante no estabelecimento de limites e na proteção da criança, mas o ideal é que os próprios genitores priorizem o bem-estar do filho acima das disputas pessoais. É comum existirem dificuldades de adaptação frente a novas famílias formadas, tanto biológicas como adotivas, mas cabe aos adultos manter a base afetiva, garantindo estabilidade e segurança emocional (FELDMAN, 2020).

Referências parentais saudáveis proporcionam à criança ferramentas para lidar com as adversidades, promovendo resiliência e autonomia (SCHOENEBERG & MILAN, 2021). Quando existe colaboração entre os adultos envolvidos, a criança sente-se protegida e capaz de desenvolver relações interpessoais equilibradas.

Portanto, o cuidado integral, atento às necessidades afetivas e sociais, constitui o eixo central para uma infância saudável e para a prevenção de distúrbios emocionais futuros. O reconhecimento dos erros e limitações dos genitores também é fundamental, desde que haja comprometimento com a proteção e o desenvolvimento da criança.

Por fim, é importante ressaltar que quantidade de tempo não substitui a qualidade das relações parentais, sendo o afeto, a presença e o olhar atento pilares da confiança, segurança e felicidade dos pequenos.

Referências (ABNT)

  • WINNICOTT, D.W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

  • BOWLBY, J. Apego: a natureza do vínculo. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

  • MINUCHIN, S. Famílias e terapia familiar. Porto Alegre: Artmed, 1977.

  • SILVA, R.; NERIS, V. Impactos emocionais da separação parental. Psicologia: Reflexão e Crítica, 2022.

  • FELDMAN, R. Parenting and child development. New York: Springer, 2020.

  • SCHOENEBERG, S.; MILAN, S. Family resilience in the context of parental separation. Child Psychiatry & Human Development, 2021.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Professores e o desafio das gerações digitais: novos caminhos para o ensino

A hiperconectividade na infância transformou profundamente o modo como as crianças percebem e reagem ao mundo ao seu redor. Segundo   Anders...