A formação emocional da criança está diretamente relacionada à qualidade das interações com seus genitores, sendo fundamental a convivência com ambos, desde a primeira infância (WINNICOTT, 1975). Estudos mostram que a presença do pai e da mãe, independentemente da configuração familiar, propicia o desenvolvimento de vínculos afetivos seguros e favorece a constituição da identidade e da autoestima do sujeito (BOWLBY, 1988).
Mesmo em processos de separação, é essencial manter o diálogo e respeitar a necessidade da criança em conviver com ambas as referências parentais (COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS, 2013). A ausência de um dos genitores pode ser interpretada pela criança como forma de rejeição, causando prejuízos emocionais e comportamentais a longo prazo (MINUCHIN, 1977).
A guarda compartilhada tem se mostrado uma alternativa eficiente para garantir o direito da criança à presença parental, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Além disso, os conflitos familiares, se não adequadamente manejados, podem gerar ambivalência, insegurança, queda de rendimento escolar e até sintomas psicossomáticos (SILVA & NERIS, 2022).
A atuação do judiciário é importante no estabelecimento de limites e na proteção da criança, mas o ideal é que os próprios genitores priorizem o bem-estar do filho acima das disputas pessoais. É comum existirem dificuldades de adaptação frente a novas famílias formadas, tanto biológicas como adotivas, mas cabe aos adultos manter a base afetiva, garantindo estabilidade e segurança emocional (FELDMAN, 2020).
Referências parentais saudáveis proporcionam à criança ferramentas para lidar com as adversidades, promovendo resiliência e autonomia (SCHOENEBERG & MILAN, 2021). Quando existe colaboração entre os adultos envolvidos, a criança sente-se protegida e capaz de desenvolver relações interpessoais equilibradas.
Portanto, o cuidado integral, atento às necessidades afetivas e sociais, constitui o eixo central para uma infância saudável e para a prevenção de distúrbios emocionais futuros. O reconhecimento dos erros e limitações dos genitores também é fundamental, desde que haja comprometimento com a proteção e o desenvolvimento da criança.
Por fim, é importante ressaltar que quantidade de tempo não substitui a qualidade das relações parentais, sendo o afeto, a presença e o olhar atento pilares da confiança, segurança e felicidade dos pequenos.
Referências (ABNT)
WINNICOTT, D.W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
BOWLBY, J. Apego: a natureza do vínculo. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
MINUCHIN, S. Famílias e terapia familiar. Porto Alegre: Artmed, 1977.
SILVA, R.; NERIS, V. Impactos emocionais da separação parental. Psicologia: Reflexão e Crítica, 2022.
FELDMAN, R. Parenting and child development. New York: Springer, 2020.
SCHOENEBERG, S.; MILAN, S. Family resilience in the context of parental separation. Child Psychiatry & Human Development, 2021.
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