17 novembro 2025

Antes de fazer bariátrica, veja isso! Verdades que todo paciente precisa saber

A cirurgia bariátrica se consolidou como uma das principais intervenções médicas no tratamento da obesidade mórbida, apresentando resultados comprovadamente eficazes na redução de peso e melhora de comorbidades metabólicas (SILVA et al., 2020). No entanto, o processo vai além de uma transformação corporal; trata-se também de uma profunda reestruturação emocional e identitária. A literatura em Psicologia Clínica aponta que o sucesso da cirurgia está intimamente relacionado ao preparo psicológico pré e pós-operatório (CAMPOS; RIBEIRO, 2019).

No pré-operatório, é comum observar a euforia do paciente e a expectativa de solução imediata para o sofrimento relacionado ao corpo e à autoestima. Segundo Barroso (2021), essa fase pode revelar comportamentos de risco, como o “comer antes da despedida”, em que o indivíduo consome excessivamente alimentos como forma de compensação emocional. O psicólogo tem, nesse momento, a função ética de educar o paciente sobre a compulsão alimentar e de promover autoconhecimento quanto aos gatilhos emocionais envolvidos.




Após a cirurgia, inicia-se uma etapa delicada marcada por disforia corporal — a dificuldade de reconhecer a própria imagem, mesmo após significativa perda de peso. Estudos mostram que essa distorção perceptiva pode gerar transtornos como anorexia nervosa e depressão pós-operatória (VASCONCELOS; MELO, 2022). Assim, a reeducação emocional deve caminhar paralelamente à reeducação alimentar.

Outro ponto crítico é a “transferência de compulsão”, observada quando o paciente substitui o vício alimentar por outros comportamentos compulsivos, como consumo de álcool, compras ou sexualidade excessiva (COSTA, 2018). Esse fenômeno reforça a necessidade de acompanhamento contínuo, pois sem o suporte psicológico o risco de recaída no comportamento compulsivo é alto.

Do ponto de vista social, há ainda um impacto identitário. A pessoa deixa de se enxergar dentro do estigma da obesidade e precisa reorganizar sua forma de se relacionar com o corpo e com os outros. Isso exige um esforço de reconstrução simbólica e uma ressignificação da própria imagem, elementos previstos dentro da abordagem cognitivo‑comportamental e psicodinâmica.

No pós-operatório, os desafios físicos — como queda de cabelo, flacidez e necessidade de cirurgias reparadoras — podem reativar sentimentos de frustração e desânimo, especialmente se o paciente mantiver expectativas idealizadas sobre o corpo magro (MARTINS; AGUIAR, 2020). Esse novo ciclo cirúrgico exige preparação emocional equivalente à da primeira operação.

Portanto, a cirurgia bariátrica deve ser entendida como um processo biopsicossocial de longo prazo, em que o psicólogo desempenha papel essencial na promoção de uma adaptação saudável, ajudando o paciente a redesenhar não apenas o corpo, mas também sua mente e modos de vida.

Referências (conforme ABNT)

  • BARROSO, M. C. Aspectos psicológicos da cirurgia bariátrica. Rev. Psicologia e Saúde, v. 9, n. 3, 2021.

  • CAMPOS, L. F.; RIBEIRO, T. S. O papel do psicólogo no processo pré e pós bariátrico. Psico-Revista, v. 7, n. 1, 2019.

  • COSTA, A. L. Compulsão alimentar e substituição de vícios após cirurgias bariátricas. J. Clín. Psic., v. 12, n. 2, 2018.

  • MARTINS, P. R.; AGUIAR, D. F. Autoimagem e reconstrução identitária após cirurgia bariátrica. Estudos Psicológicos, v. 25, n. 4, 2020.

  • SILVA, J. D. et al. Efeitos metabólicos e comportamentais da cirurgia bariátrica. Rev. Médica Brasileira, v. 66, n. 2, 2020.

  • VASCONCELOS, A. M.; MELO, C. R. Disforia corporal no pós-bariátrico: uma análise clínica. Psique Contemporânea, v. 4, n. 2, 2022.

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